domingo, 4 de julho de 2010

sábado, 5 de dezembro de 2009

Inpe fulmina a tese de que raios causaram o apagão

Divulgação

Relatório do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) carboniza a versão oficial que atribuíra a raios o apagão do dia 10 de novembro.

Datado de quarta-feira (3), o documento do Inpe foi divulgado nesta sexta (4). Traz a palavra final e oficial do órgão.

Em essência, o instituto, que pende do organograma do Ministério da Ciência e Tecnologia, concluiu o seguinte:

1. Na tarde do dia 10 de novembro, “horas antes da interrupção do fornecimento de energia elétrica [...], as linhas de transmissão do sistema Itaipu foram atingidas diversas vezes por descargas atmosféricas com intensidades superiores a 50 kA”.

2. No horário do apagão, 22h13 da noite de 10 de novembro, “a atividade de descargas tinha diminuído consideravelmente em relação à atividade registrada ao longo do dia”. Os raios eram, então, mais fracos.

3. Minucioso, o relatório do Inpe analisa as condições atmosféricas na região da subestação de energia de Itaberá (SP) entre 22h12 e 22h14.

4. Informa que, entre o minuto que antecedeu o apagão e o minuto imediatamente posterior, havia em Itaberá “descargas de fraca intensidade (16 kA)”.

5. Além de anêmicos, os raios caíram a uma distância de “9,2 km de uma das linhas [de transmissão] de 600 kV e a mais de 30,5 km da subestação de Itaberá”.

6. O Inpe estimou “as probabilidades individuais de que uma descarga tenha atingido diretamente cada uma das cinco linhas de transmissão de Itaipu ou a subestação de Itaberá”.

7. O instituito informa: “Em todos os casos, as probabilidades individuais são baixas (inferiores a 15%) para descargas fracas, isto é, com intensidades inferiores a 25 kA. Para descargas com intensidade acima de 25 kA, as probabilidades são praticamente nulas”.

8. Quem lê o texto é conduzido a um veredicto incontornável: o curto-circuito em série que desligou da tomada 18 Estados brasileiros na noite de 10 de novembro não pode ter sido ocasionado por raios.

9. Por quê? Na tarde daquele dia, período em que os raios eram mais fortes –acima de 50 kA— e atingiram “diversas vezes” as linhas de tramissão de Itaipu, o sistema elétrico não caiu.

10. Menos razões haveria para ser desligado às 22h13, horário em que os raios, além de infinitamente mais fracos –16 kA—, passaram longe das linhas –9,2 km— e mais distantes ainda da subestação de Itaberá –30,5 km.

11. No dia seguinte à data do apagão, o Inpe já havia praticamente descartado a hipótese de que raios tivessem causado o breu, desdizendo o que dissera o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) na noite da véspera.

12. Lobão abespinhara-se: "O Inpe não discordou. Um pesquisador fez manifestações de natureza pessoal. O presidente do instituto divulgou uma nota dizendo que aquela não era a palavra do Inpe...”

“...O instituto está estudando o assunto para ter uma manifestação sobre fenômenos climáticos, não sobre questões energéticas. Não é atribuição do Inpe opinar sobre energia elétrica. Ele opina sobre fatos climáticos e nada mais".

13. De fato, a primeira valiação do Inpe era preliminar. O instituto prometera análise mais completa e definitiva. A palavra final consta do documento que veio à luz nesta sexta.

14. Nas pegadas do apagão, com a elocidade de um raio, Lobão e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) deram o caso por “encerrado”.

15. Decorridos 25 dias, o caso continua em aberto. Afora as conclusões do Inpe, que afastam a hipótese dos raios, o brasileiro ainda não foi apresentado a uma versão que se sustente em pé.

- Serviço: Pressionando aqui, você chega ao pedaço do relatório do Inpe que discorre sobre a incidência de raios no dia do apagão.

Apertando aqui, chega-se ao naco que traz informações sobre as condições do tempo.

Escrito por Josias de Souza às 03h30

domingo, 26 de julho de 2009

Usina Hidrelétrica de Itaipu

A usina hidrelétrica de Itaipu é a maior em operação no mundo, fruto de um empreendimento binacional desenvolvido em conjunto pelo Brasil e o Paraguai, no rio Paraná. A potência instalada da usina, de cerca de 12.600 MW (megawatts), é responsável pelo suprimento de mais de 80% da energia elétrica consumida em todo o Paraguai e cerca de 30% do abastecimento das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, regiões que concentram cerca de 65% da população brasileira.

Por sua grandeza e pelo interesse que desperta em todo o mundo, a usina de Itaipu está entre as principais atrações turísticas de Foz do Iguaçu. Desde que foi aberta à visitação, em 1977, a usina já recebeu cerca de 10 milhões de visitantes, de 162 países. As visitas a Itaipu são gratuitas, exceto à noite, quando é apresentado um show de luzes na usina. Mais informações: http://www.itaipu.gov.br

terça-feira, 22 de abril de 2008

A segunda guerra do Paraguai (Sebastião Nery)

Mário Palmério, o saudoso e telúrico romancista mineiro de "Vila dos Confins" e "Chapadão do bugre", deputado federal pelo PTB de 1951 a 63, foi embaixador do Brasil no Paraguai em 1963 e 64. Uma noite, toca o telefone da embaixada, era o ditador Stroessner:

- Dom Mário, estava precisando falar com o senhor. Pode passar aqui pela manhã, às cinco?
- Da manhã, presidente?
- Sim. Chego sempre ao palácio às cinco. É melhor para conversar.
- Presidente, em nome da amizade do Brasil com o Paraguai, essa conversa não podia ser às 11?
Podia. Foi às onze.
Stroessner

Mário Palmério, escrevendo seus poderosos romances e compondo belas guarânias ("Saudade" é uma das três músicas mais populares do Paraguai), fez da embaixada do Brasil em Assunção um refúgio de políticos e intelectuais da oposição. Uma tarde, chega à embaixada o então ministro do Exterior, Sapeña Pastor:

- Senhor embaixador dom Palmério, nosso país deseja e precisa manter as melhores relações possíveis com o Brasil. Mas o senhor tem aqui na embaixada, asilados, mais de 40 inimigos do regime, e isto está causando os maiores problemas para o governo. O senhor não podia tomar uma providência para ajudar meu ministério e nosso governo?
- Pois não, senhor ministro, já estou tomando. Vamos lá em cima, no segundo andar, para o senhor ver a beleza de apartamento que estou preparando para asilados de luxo.
- Mas esta é uma brincadeira de mau gosto.
- Não é não, senhor ministro. O general Stroessner, seu presidente, em outros tempos já foi hóspede da embaixada do Brasil. O senhor, em qualquer eventualidade, também pode contar conosco.

Sapeña Pastor saiu e nunca mais tocou no assunto. Quando foi derrubado, Stroessner fugiu para Brasília, onde viveu até morrer.
Jango

Nos fins de 1963, os jornalistas Murilo Marroquim e Benedito Coutinho, os dois mais antigos repórteres políticos de Brasília, foram chamados à Granja do Torto, residência oficial do presidente. Jango os esperava à beira da piscina, sozinho, serviu uísque aos dois:
- Vocês já estiveram na Rússia? (Murilo já, Benedito não). Pois se preparem os dois, que muito em breve iremos a Moscou. Olha, isso é inteiramente confidencial. Só quatro pessoas sabem disso: eu, o embaixador soviético e, agora, vocês.

Deu uma volta na piscina, pensando, voltou eufórico:

- Vamos construir a hidrelétrica de Sete Quedas (Itaipu).
- Com que recursos, presidente?
- São 12 milhões de quilowatts. Técnicos brasileiros e soviéticos. Três planos qüinqüenais. Financiamento russo a juros mínimos. Grandes exportações de produtos agrícolas brasileiros para a União Soviética, para facilitar o pagamento. Só os russos possuem, hoje, turbinas para o porte de Sete Quedas. Já sondei o Stroessner. A energia ociosa do Paraguai será comprada por nós. O embaixador soviético me disse que seu país não tem o menor interesse em disputar o mercado ocidental. Interessam-lhe grandes obras, como as de Assuã, no Egito.
União Soviética

Os dois ouviam, espantados, Jango sorriu:

- Vocês não acreditam? Tem mais. O plano global inclui a ligação do Amazonas ao Prata. Vamos realizar o velho sonho brasileiro.

Murilo Marroquim, com sua sabedoria pernambucana, interrompeu:

- Presidente, o plano é maravilhoso, mas o senhor não vai executar. É uma obra monumental, mas é uma obra política. A Rússia não fará uma Assuã na América Latina, porque os Estados Unidos não vão deixar.
- Somos um país livre, independente. Contarei com o apoio das Forças Armadas para resistir a qualquer pressão e contarei com o povo.
Três meses depois, Jango era derrubado.
Itaipu

Domingo, no "Globo", a banqueira Miriam Leitão, que entende mais de negócios americanos do que a Hilary, Obama e McCain juntos, lembrou:

1 - "Itaipu foi construída (no governo Geisel) com endividamento, os juros subiram muito no exterior, a dívida virou uma bola de neve, a empresa pagou uma grande parte, mas ainda há dívida até o ano 2023. A maior parte da receita da usina é para pagar a dívida. Por isso, o Paraguai recebe um valor por megawatt que considera menor do que merece".

2 - "O atual presidente Nicanor Duarte já tentou fazer mudanças no contrato de Itaipu, mas não foram aceitas pelo Brasil. Essa é uma história longa, que se resume no seguinte: Itaipu produz 14 mil MW de energia, dos quais cada país tem direito à metade. O Paraguai só precisa de uma pequena parte. Assim, vende o resto para o Brasil".

3 - "Hoje, o Paraguai recebe, líquido, US$ 350 milhões. Fernando Lugo (o candidato vitorioso, que era bispo, bispo verdadeiro, não fajuto, como o Crivella) acha que deveria ser, pelo menos, US$ 1,8 bilhão. A relação com o Paraguai nesse início do século XXI será desafiadora".
Vem aí a segunda guerra do Paraguai? Falta Caxias.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

FM PAN: Reservatórios do Sudeste em alerta por excesso de água

Reservatórios do Sudeste em alerta por excesso de água

Sexta-feira, 08 de Fevereiro de 2008 | 18:13Hs

William Franco

O nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste subiu mais ainda e continua acima da margem mínima de segurança estabelecida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). As bacias hidrográficas da região estão com 56,3% da capacidade preenchida, 0,9 p.p. (pontos percentuais) acima de 55,4%, que é o mínimo estipulado pela Curva de Aversão ao Risco para essa época do ano.

As informações são do Informativo Preliminar Diário da Operação referente à última quinta-feira, que é divulgado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico Nacional). Os reservatórios armazenam o volume d'água que será utilizado pela usinas hidrelétricas para a produção de energia elétrica.

Com isso, diminuem ainda mais as chances de o governo determinar o acionamento de usinas termelétricas para poupar os níveis dos reservatórios. Neste caso, poderia faltar gás para o consumidor, já que boa parte das térmicas são movidas pelo combustível, e não há gás suficiente para atender ao parque termelétrico e aos diferentes mercados consumidores.

A recuperação do nível dos resevatórios do Sudeste/Centro-Oeste é consequência das chuvas que vem atingindo essa área, principalmente o Sudeste, desde meados de janeiro.

Antes disso, os reservatórios vinham se mantendo abaixo do nível mínimo de segurança. Ao mesmo tempo que o nível dos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste cresce significativamente, no Sul a situação é inversa.

O nível de enchimento vem recuando diariamente, e as bacias da região estão com 62,1% da capacidade cheia. Mesmo assim, o Sul apresenta um quadro tranqüilo, conforme a Curva de Aversão ao Risco.

O nível atual está 43,9 p.p. acima dos 19% mínimos exigidos pelo limite de segurança. Na região Nordeste, os reservatórios estão com 35,2% da capacidade preenchida.

O volume, inferior ao Sudeste/Centro-Oeste, está 22,3 p.p. acima dos 12,5% estipulados pela Curva de Aversão ao Risco para a região. No Norte, os reservatórios estão com 33,9% da capacidade total completada.

Fonte:midiamax